Eu tenho que sonhar
Eu tenho que acordar
Para sonhar eu teria que dormir
Para acordar também
Minha linha estreita é essa
Preciso sonhar
Preciso acordar
E é como se eu não quisesse dormir.
Meu estado é o silêncio
Talvez não seja silêncio
Seja ignorância mesmo
Desconhecer realmente
E não ter mais sequer compaixão
para inventar a parte de dentro
ou a parte de fora
Quando penso
Quando falo
Digo para mim
Para mim mesmo
E para quem acaba ouvindo
Um tanto de invenções de uma parte minha que já foi
Que está indo
Que não é
Muitas vezes durante o discurso
Me escuto enquanto falo
E me afasto de mim mesmo
Ao ponto de parecer uma verdade mal contada para quem ouve
Mas, não há volta é vicioso
Estou só agora
E falo em voz alta para poder me ouvir
A noite vem com seus sons poucos
E eu apenas penso no que falo e escrevo
Já me vem o sono que eu não queria aceitar
Vou me deixando hipnotizar olhos pesados mãos lentas
Mãos pesadas olhos lentos
Durmo para o acordar e sonho para o escrever.
O Confeiteiro
- Rafael Lizzio.
- ...”Sempre que acordo Com a intenção de não ser O de ontém Mudo E o paradoxo mais bonito È que continuo sendo o mesmo”...
terça-feira, 27 de maio de 2008
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Marco Zero
Deveras semelhança ao instante anterior
Ao marco zero,
Onde nada, era eu.
Num remontado absurdo de esconderijos
A espiar
Sua graça catalã
Bendita,
Tarde que chegastes com hálito de maçã
Espalhando confusão
Trágicas, trágico
O acidente de corpos, o coração selvagem
Três mil pecados na sala
Nua, perdida, seios e ruas
Sina complexa- desfigura
Juras sinceras e a porta aberta
Não és minha, não sou seu
Descoberta, passas frio
Ao fogo, queimamos a razão
Ao nada tornamos
Semelhantes ao instante posterior
Vivos, cicatrizes sem pudor.
Ao marco zero,
Onde nada, era eu.
Num remontado absurdo de esconderijos
A espiar
Sua graça catalã
Bendita,
Tarde que chegastes com hálito de maçã
Espalhando confusão
Trágicas, trágico
O acidente de corpos, o coração selvagem
Três mil pecados na sala
Nua, perdida, seios e ruas
Sina complexa- desfigura
Juras sinceras e a porta aberta
Não és minha, não sou seu
Descoberta, passas frio
Ao fogo, queimamos a razão
Ao nada tornamos
Semelhantes ao instante posterior
Vivos, cicatrizes sem pudor.
quarta-feira, 26 de março de 2008
A Fraqueza do Poema
Ela ou Ela
Desenlace fatal no seu olhar
Enquanto as paisagens correm pelas janelas
sem serem notadas e as notas tocam caladas
Precipício, alta erupção de dois vulcões
há tanto adormecidos
Suicídio se entregar quando algoz
o medo traz a fenda
O mercúrio escorre pelas mãos
fugidio , líquido, fugaz
Estou a fraquejar
Como quem tem pouco tempo a dar
Silêncio, o vento leva calmo
O outono me traz repetição certa
Ela, Ingrid
Orvalho da manhã amar
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